Seção de CartasSemana retrasada, recebemos uma mensagem em nossa caixa postal a respeito de um antigo post de minha autoria. Como isso diz respeito a mim, Ombudsman gentilmente cedeu este espaço para eu exercer meu direito de resposta e fazer alguns comentários. Eis a seguir, a referida carta assinada por um leitor que se identificou como Anti-spam.
Em 11/1/2002 Rod Ran colocou um artigo sobre o quatrocantos "Uma Internet sem SPAM" e deu vários exemplos sobre o que seria SPAM. Aquilo não é spam.
SPAM são as propagandas não desejadas que chegam na nossa caixa postal.
Apóio totalmente o www.quatrocantos.com nessa tarefa.
Vamos acabar com essas propagandas inúteis.
Nunca compre nada de um SPAMMER.
SPAMMER - aquele que faz SPAM
Anti-spam
Caro Anti-spam, antes de mais nada, agradeço por sua gentileza em avisar-nos deste pequeno detalhe. Agradeço também, em nome do Bloguil, por sua leitura exemplar de nosso blog, especialmente por se tratarem de arquivos antigos, o que nos deixou admirados e contentes.
Quanto à sua explicação, confesso que senti-me um tanto incerto com relação à não-abrangência do termo e na dúvida, decidi consultar a Webopedia. Eis a definição de spam obtida lá:
Electronic junk mail or junk newsgroup postings. Some people define spam even more generally as any unsolicited e-mail. However, if a long-lost brother finds your e-mail address and sends you a message, this could hardly be called spam, even though it's unsolicited. Real spam is generally e-mail advertising for some product sent to a mailing list or newsgroup.
Com base somente na definição acima, só posso concluir que o leitor tem razão. A abordagem feita no meu post limitou-se apenas às chamadas pulhas virtuais e não levou em conta o aspecto comercial das verdadeiras mensagens de spam. Além disso, cabe um complemento, também extraído do mesmo site:
In addition to wasting people's time with unwanted e-mail, spam also eats up a lot of network bandwidth.
Isso mostra o verdadeiro lado prejudicial em se receber mensagens não solicitadas: o desperdício de largura de banda da rede. Para os leigos, tentem imaginar o seguinte: temos um cano de uma determinadas bitola dimensões internas aonde uma vazão de líquidos não pode ultrapassar um valor fixo; se eu começo a passar somente água por este cano, toda a vazão permitida está reservada para a água. Entretanto, se eu começar a passar também óleo através deste tubo, já estarei comprometendo a quantidade de água corrente pois que o volume de líquidos por unidade de tempo (vazão) é constante. A água é o fluxo normal de dados pela internet; o óleo é o spam.
Mas se a questão do prejuízo é puramente técnica, podemos inferir que o que torna o spam tão nocivo não é necessariamente a sua faceta comercial. Pulhas virtuais também contribuem para o desperdício de banda. Algumas vezes até mais, dado que são mais difíceis de serem combatidas e além disso contribuem negativamente com mais outro problema: a perda de tempo em leitura com informações falsas. Portanto, deixando um pouco de lado o rigor em classificar uma coisa ou outra, faço uma pergunta ao prezado leitor: neste combate às mensagens não-solicitadas por e-mail, faz alguma diferença para você o fato delas apresentarem um caráter estritamente comercial ou não?
Para mim, não faz. Odeio tanto receber mensagens de spam quanto de pulhas virtuais. Mas como recebo mensagens de spam de desconhecidos, meu rancor não dura muito tempo até se esvair. Já no caso de pulhas virtuais, quando recebo, vêm de amigos, o que me causa tremendo desgosto e decepção pela falta de semancol e de senso crítico em examinar tais mensagens, mesmo após insistentes pedidos de não repassarem mais este tipo de coisa. Acho que o esforço vale tanto para uma coisa como para outra, principalmente porque se optarmos por combater apenas um destes males, não faremos um progresso muito significativo, afinal, não estaremos encarando o problema em sua dimensão real que é a ignorância de qualquer espécie no uso de correio eletrônico. E era justamente sobre isso que meu post se tratava.
Pra finalizar, trago aqui mais outro trecho, desta vez tirado da Cartilha de Segurança para Internet do NBSO e com uma definição mais abrangente sobre o termo:
SPAM é o termo usado para se referir aos e-mails não solicitados, que geralmente são enviados para um grande número de pessoas. Quando o conteúdo é exclusivamente comercial, este tipo de mensagem também é referenciada como UCE (do inglês Unsolicited Commercial Email).
Deixo as conclusões para esta segunda definição a cargo dos entusiastas. Um grande abraço e mais uma vez, muito obrigado ao leitor Anti-spam por trazer esta discussão à luz dos fatos.
N. do C.: palavras riscadas ou em vermelho significam revisões.